Animais Fantásticos

Primeiro relato do set de Animais Fantásticos e Onde Habitam

Escrito por Vinicius Ebenau

O correspondente do Pottermore escreveu um artigo descrevendo sua experiência nos sets de Animais Fantásticos e Onde Habitam. É a primeira vez que temos uma visita aos sets do filme e essa é ainda mais especial por ter sido publicada numa fonte oficial de “Harry Potter”. Normalmente, essas visitas são feitas por jornais e sites de entretenimento.

Aparentemente uma de muitas por vir sobre a equipe técnica, o jornalista foca no restaurador Alex, responsável por 49 carros antigos para o filme, e seu cachorro, Teddy Redmayne, descrito como “bem imundinho (uma mistura de raças fofas, possivelmente com genes de terrier)”, que foi renomeado em homenagem ao ator Eddie Redmayne, que será o protagonista da trilogia.

Fora isso, o jornalista descreve uma quantidade imensa de chapéus, cabeleireiros preparando gel no cabelo dos figurantes para criar “topetes perfeitos” e muitas outras referências aos anos 20, tudo para criar a ambientação que o filme precisa. Até um trailer-lanchonete com bancos cor de vinho está lá em uma rua de paralelepípedo construída pela metade para remeter à época. São detalhes e detalhes que nos fazem lembrar bastante o cuidado que a produção de “Harry Potter” teve na criação dos sets, muito pelo retorno do designer de produção Stuart Craig.

Confira abaixo o relato completo.

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Há um cachorro no set de Animais Fantásticos e seu nome é Teddy Redmayne
Tradução: Renato Delgado

Não há nada glamouroso em estar num estúdio cinematográfico.

É lamacento, cheio de respingos. É tão grande que merece um código postal próprio. Você precisa vestir sapatos fechados, um chapéu duro e uma daquelas roupas de alta visibilidade em laranja fluorescente. E em todo lugar que você vai, você está tão dolorosamente impressionado que quase se esquece de respirar.

É fabuloso.

O set de Animais Fantásticos e Onde Habitam tem um cheiro de mogno e pipoca. Não sei o por que ou como é assim, mas é a verdade. Há centenas de pessoas, milhares de figurinos, centenas de milhares de acessórios de cena. Há filas e filas de chapéus em prateleiras, ruas de paralelepípedo construídas pela metade e um trailer-cantina com assentos de vinil vermelho como numa lanchonete dos anos 50.

Para mim, há beleza em cada detalhe mínimo.

Para começar, havia um cachorro no estúdio e o nome dele é Teddy Redmayne. Não Eddie Redmayne. Teddy Redmayne.

Ele é bem imundinho (uma mistura de raças fofas, possivelmente incluindo terrier) que vem trabalhar dois dias por semana com seu humano, que está atualmente restaurando 49 carros antigos para o filme. Por toda a sua vida, este cachorrinho foi conhecido por sua família e amigos como “Ted”. Mas desde que seu amigo humano especial conseguiu o trabalho neste filme, ele foi renomeado Teddy Redmayne em homenagem ao ator.

O humano de Teddy Redmayne, Alex, me leva para ver seus carros. “Esses são os meus bebês”, ele diz apontando para todos com suas mãos manchadas com petróleo. Ele bate o capô de um carro delicadamente, abre-o e explica o funcionamento de um motor dos anos 20 minunciosamente, saio me questionando se já posso trabalhar como mecânico agora. Ele abre a porta e eu entro no banco do motorista – transportado, assim como um dia os espectadores serão, a outra era. É mágico.

Mas Alex não é apenas um apaixonado completo pelo que ele faz. Ele é o melhor no mundo no que faz. Isso me volta à cabeça ao longo do dia, enquanto conheço as pessoas no estúdio; que todos aqui são extraordinários.

Cada um aqui tem uma história, e eu espero poder lhes contar tudo: Sobre o homem polindo uma maleta de couro direto de uma era passada, sobre a mulher que passa gel no cabelo de um figurante até ficar um topete perfeito, sobre o jovem correndo perto de um estúdio fechado e sussurrando logística num fone de ouvido. Sobre o motorista que me buscou, sobre o técnico de som, sobre o guarda, sobre o fotógrafo, sobre o operador de microfone, o maquiador, os assistentes de diretor um, dois e três. O cara grandão que serve purê de batata no almoço, os trabalhadores da construção que escutam Destiny’s Child enquanto sobem um prédio.

Esqueça, por um momento, que isto é um filme sobre bruxos e bruxas. Há uma magia e tanto em sua produção. Quero lhes trazer estas histórias antes mesmo de falar sobre varinhas ou feitiços ou atores vencedores de Oscar com sardas gloriosas. Fique comigo…

Sobre o autor

Vinicius Ebenau

Vinicius, infelizmente, não consegue se descrever bem. Tem como um de seus maiores sonhos reler Prisioneiro de Azkaban em menos de seis meses, e reassistir o filme sem dormir perto do final.