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J.K. Rowling em entrevista à BBC 2: novo livro infantil a caminho!

Escrito por Igor Moretto

J.K. Rowling, respondendo por Robert Galbraith, deu sua segunda entrevista sobre a série de livros “Cormoran Strike” no Book Club da BBC 2, onde falou sobre Career of Evil, “Harry Potter”, família e novos projetos que incluem um novo livro infantil! Confira a tradução completa.

J.K. Rowling comenta sobre a narrativa e as técnicas usadas em Career of Evil, o terceiro livro da série; fala sobre a experiência de escrever a série “Harry Potter” e pela primeira vez fala um pouco de sua vida em casa com seus filhos. Ela também falou que tem muitas ideias para novos livros e afirmou já ter começado a escrever mais um livro infantil que deve ser concluído e publicado. Veja um trecho da entrevista:

Tenho planos para voltar a escrever como J.K. Rowling, mas não vou dizer uma data nem nada, por que eu estou muito ocupada escrevendo o roteiro da série “Animais Fantásticos”, que está sendo muito divertido. Mas com certeza escreverei mais livros como eu mesma. Mais livros, no plural! Eu escrevi parte de um livro infantil que eu amei muito, então vou definitivamente termina-lo. Vai ter mais um livro infantil, e eu também tenho ideias para livros adultos…

Jo também comentou sobre Harry Potter and the Cursed Child, a peça que continuará a história de “Harry Potter” depois de Relíquias da Morte, e respondeu perguntas e críticas dos membros do clube literário da BBC. Confira a entrevista completa traduzida por nós abaixo. Caso queira ouvir a entrevista na integra em áudio, utilize o player no topo da notícia, ou clique aqui para fazer o download do .mp3!

J.K. Rowling em entrevista à BBC 2
Traduzido por Igor Moretto

Simon Mayo: Bom, é o clube do livro da BBC 2 e pela primeira vez tivemos uma multidão de gente no lado de fora e isso tudo por que nossa escolha do clube do livro é Career of Evil, de Robert Galbraith. Robert Galbraith, também conhecido como J.K. Rowling. Jo Rowling, como vai?

J.K. Rowling: Estou muito bem, obrigado! E você?

S.M.: Tudo bem, obrigado! Nos falamos pela última vez em 2000…

J.K.: Foi.

S.M.: …como tem sido nesses quinze anos?

J.K.: Foi muito bem, Simon, não foi tão ruim… Sabe como é…

S.M.: Nosso último livro no clube literário foi “City on Fire”, de Risk Hallberg, é esse aqui… Olha o tamanho dele!

J.K.: É um box muito chique!

S.M.: Sim, e ele veio ao programa e disse que o escreveu tão grande assim por sua causa.

J.K.: Eu peço desculpas…

S.M.: Ele cresceu lendo seus livros e se acostumou a ler livros grandes, e acabou escrevendo isso. Sua influência está em toda a parte!

J.K.: Fantástico. Me sinto muito honrada, de verdade.

S.M.: “City on Fire” vai ser um dos livros mais lidos do ano, mas Robert Galbraith lançou um livro novo, que é “Career of Evil”. Antes de continuarmos, podemos falar do título? Esse é o lugar pra falarmos do título, por que Blue Öyster Cult e as letras da banda estão por toda a parte do livro, então você pode explicar o porquê do título e de ter tanto Blue Öyster Cult no livro?

J.K.: Eu não pretendia colocar as letras por toda a parte do livro, o que aconteceu foi: quando eu planejei – eu sempre planejo demais os meus personagens – eu sabia que a mãe do meu detetive era uma groupie nos anos setenta, então eu sabia que ela tinha ido a bastante shows. Antes de terminar o primeiro livro, eu sabia que a paixão da vida dela era Blue Öyster Cult, por que eles têm a fama de serem fantásticos ao vivo, então obviamente pra uma garota que vivia atrás dos shows, sua banda preferida seria Blue Öyster Cult. Eu tinha uma vaga ideia de usar as letras deles em algum lugar por que eu sabia que as letras deles são super diferentes e legais, e eles tiveram letristas fantásticos. Então quando eu sentei pra preparar a narrativa desse livro e comecei a olhar para a discografia deles, foi um presente milagroso que tantas letras deles se aplicassem na minha narrativa. As pessoas vão achar que eu criei a história através das músicas, mas eu juro, não fiz isso, foi o contrário. Elas se encaixaram maravilhosamente.

S.M.: Acho que foi lançada em 1972…

J.K.: Sim…

S.M.: Essa é Career of Evil, do Blue Öyster Cult… [Simon toca um trecho da música] Eu tava ouvindo antes do programa e pensei em colocar a música inteira, mas é uma música muito safada, né?

J.K.: É uma letra muito safada e doida, mas é um presente absoluto pra esse livro.

S.M.: Então esse é um livro de Cormoran Strike, seu detetive, e como você não deu muitas entrevistas como Robert Galbraith, explica pra gente quem ele é…

J.K.: Pois é, Robert não passeia muito…

S.M.: Então, explique Cormoran Strike, sua personalidade e o porquê dele ser como é.

J.K.: Eu conheço alguns veteranos de guerra, e meu amigo mais antigo é ex-militar. Eu me interessava muito em saber o que acontece com alguém que deixa a carreira militar. Eles vão para todo tipo de coisa, e alguns vão pro tipo de trabalho que Strike foi – detetive privado ou trabalho de proteção -… É daí que a ideia veio. Eu também dei a ele uma história bem rica. Ele é o filho ilegítimo de um astro do rock que ele só encontrou duas vezes, e nunca ouvimos falar disso – está por vir -, e uma mãe muito rica em personalidade, que ele amava. Então ele teve uma infância itinerante, se mudando muito, vivendo endividado, e acabou fugindo pro exército, onde ele é machucado e se torna nosso detetive. Ele é muito inteligente, e um pouco machucado por algumas coisas que aconteceram com ele. Digo literalmente machucado, não metaforicamente.

S.M.: Com esse livro tivemos a oportunidade de ler o primeiro capítulo antes, e quando lemos o primeiro capítulo percebemos que esse é um livro obscuro…

J.K.: É com certeza o mais obscuro da série até agora. É o único livro que escrevi que me deu pesadelos de verdade. Não foi escrever o livro, foi mais a pesquisa que fiz, onde li vários relatórios policiais, e testemunhos de serial killers. Alguns dos pensamentos que passam pela cabeça do meu serial killer imaginário – alguns capítulos são contados da perspectiva do assassino, mas você não sabe obviamente quem é o suspeito – foram tirados de testemunhos de serial killers notórios, e apesar de não sabermos o que eles pensam, há alguns desses que falaram sobre seus motivos e sobre a maneira como se sentem quanto às vítimas. Foi essa pesquisa que me perturbou tanto.

S.M.: No final do livro, nas suas considerações, você diz que nunca gostou tanto de escrever um livro quanto gostou desse, como você coloca esses dois aspectos juntos?

J.K.: [Risos] Eu concordo que os dois parecem irreconciliáveis, mas eu realmente acho que nunca gostei tanto de escrever um livro quanto gostei deste. Eu me dei um desafio técnico bem difícil com esse livro, que foi bem consciente. Os suspeitos eram poucos, então é bem difícil, tecnicamente, manter o suspense, e eu sempre quis ir para a cabeça do assassino, então foi um grande desafio. E eu amei esse desafio. Amei a confecção do livro, não exatamente o assunto. Mas eu sempre preciso dizer: sempre há uma história maior acontecendo dentro da série sobre a relação de Strike com sua assistente acidental, que está se tornando cada vez mais importante, a Robin, e eu estou gostando muito de escrever sobre a relação deles, que é meio platônica, mas que com esse livro se torna mais claro não ser platônica, mas ainda ninguém tomou atitude.

S.M.: Quero te perguntar mais sobre Robin em um segundo, por que ela é um personagem muito interessante e alguns dos nossos ouvintes falaram dela… Agora, Mark, o que você diz sobre Career of Evil? Você tinha uma cópia antes do lançamento, né?

Mark: Eu li o livro alguns meses atrás, quando ele ainda era uma cópia branca sem o nome de J.K. Rowling ou Robert Galbraith, sem nenhuma informação. Mas cada página tinha um número serial…

J.K.: Para que a gente pudesse te achar e te matar…

Mark: Sim! [Todos riem] Eu ficava com muito medo de derrubar no metrô ou algo assim, aterrorizado. Mas enfim, foi muito bom! Pra mim, Jo, esse livro é exatamente o que um livro de suspense deveria ser, e muitos são, mas deveriam todos ser daqueles livros que você diz que vai ler só mais um capítulo. Eu li muito rápido. Vou tomar muito cuidado por que eu não queria alguém me contando o que aconteceu, mas com vinte páginas faltando eu estava completamente convencido que eu sabia quem tinha cometido o crime, e eu estava errado, completamente errado. Isso demonstra o porquê de amarmos esse tipo de livro, por que a gente adora que nos provem que estamos errados… Pra mim é como o ilusionismo, por que as dicas estão todas lá, e você vai chegar no lugar certo se olhar nos lugares certos, mas eu estava olhando no lugar errado por que você me levou a outra direção – por isso acho parecido com o ilusionismo. Gostaria de saber o que você acha desse tipo de ferramenta.

J.K.: Bem, ilusionismo é um resumo perfeito do que você disse. Eu sempre gostei de tentar descobrir quem cometeu o crime como leitora, e amo escrever livros assim. É um gênero. Há regras. Um crítico bastante astuto disse uma vez à Christie – Agatha Christie -, que ela estava embaralhando as cartas muitas vezes como um mágico profissional, e mesmo assim você não conseguia descobrir. Você acha que viu o truque, mas mesmo assim não descobriu. Acho ‘ilusionismo’ correto, mas você também acertou em dizer que você tem que dar ao leitor todas as informações necessárias para descobrir, e essa é a habilidade, conseguir fazer com que o leitor olhe pra trás e diga ‘ah, mas é claro… A, B, C, D… Se eu tivesse seguido essas pistas…’ Elas têm que estar lá e têm que ser claras, você não pode roubar. Eu gosto muito de arranjar essa narrativa, mas ao mesmo tempo você precisa fazer o livro ser legal de ler, com os personagens sendo interessantes… Você me deixou muito feliz por dizer as coisas que eu queria que as pessoas dissessem sobre o livro.

S.M.: Antes você planejou sete livros, quantos livros você pretende fazer dessa série?

J.K.: O legal dos livros do Strike é que eu não tenho um final em mente, não estou tão planejada quanto eu estava com os livros do Potter, então eu provavelmente poderia ir até o décimo, e até mesmo além disso… Eu tenho certo número de narrativas, mas acho que o que vai limitá-las no final das contas vai ser a relação de Strike e Robin, por que é claramente nesse varal que essas narrativas estão penduradas, e acho que quando chegar o dia em que eu não gostar mais de escrever sobre eles, vai ser provavelmente aí que Robert vai parar de escrever essa série. Mas eu com certeza não cheguei nem perto desse ponto ainda.

S.M.: Rebecca, o que você achou de Career of Evil, de Robert Galbraith?

Rebecca: Eu achei o livro muito bom, e muito bizarro. Cometi o erro de lê-lo antes de ir dormir na semana passada inteira, e isso prejudicou meu sono… [risos]

J.K.: Me desculpe…

Rebecca: Mas como um mistério de assassinato, ele seria um livro muito bom de qualquer jeito, tem tantos personagens e detalhes que eu acho que ele realmente parece verdade, por que você criou esses dois personagens principais que têm histórias fascinantes. E você realmente se importa com o que acontecerá com eles. Eu amo o cinismo de Strike e o fato de ele estar permanentemente de ressaca [Jo ri] mas mesmo assim muito bom no seu trabalho. Me interessei no tema ‘fama’, que você trouxe com o Cormoran, e eu queria saber o porquê de você ter transformado isso num tema tão recorrente.

J.K.: Quando eu comecei a escrever esses livros ninguém sabia que Robert Galbraith era uma pessoa famosa, então era uma máscara numa máscara, mas o que eu gosto de Strike é que ele não é autobiográfico – ele não sou eu – e quando os livros começaram ele não era conhecido, apesar de agora ele estar começando a ser muito conhecido. Eu gostei muito de começar a olhar para as suposições que as pessoas fazem sobre você ou sua família, por que eles acham que sabem de parte da sua história. É claro que as pessoas que pagam por isso são as pessoas próximas à pessoa famosa. Elas pagam mais que a pessoa famosa. As pessoas acham que sabem muito sobre você – elas talvez estejam certas, ou erradas, mas a suposição existe. Foi muito liberador explorar isso durante o pequeno período antes de eu ser desmascarada.

S.M.: Você queria ter ficado anônima por mais tempo?

J.K.: Quanto ao Robert, com certeza! Mas olhando pra trás agora eu percebo que provavelmente era meio irreal, mas a minha ideia era ter três livros publicados antes de me revelar. Eu sabia que, se os livros fizessem sucesso, as chances de manter minha máscara diminuiriam drasticamente, por que as pessoas iam começar a se questionar o porquê desse cara nunca dar entrevistas… Mas eu senti que foi meio prematuro, eu fiquei bastante decepcionada.

[Simon pausa a entrevista e toca uma música da banda Blue Öyster Cult. Depois, uma propaganda com Stephen King.]

S.M.: O Stephen King quando veio aqui quis falar só sobre música e não sobre seu livro… Você gosta dele?

J.K.: Eu sou muito fã dele, eu fiz um evento com ele em Nova York alguns anos atrás e foi um dos mais divertidos que já fiz, eu amei ele.

S.M.: Então, Jo, o clube de leitura da BBC faz o seguinte: as pessoas assinam no site e não fazem ideia do livro que vão receber, então pode ser que ninguém goste por que as pessoas geralmente preferem certos tipos de livros… Mas vamos ver um comentário. Tracey Oakley disse: ‘Eu não sou uma grande fã de romances criminais mas gostei muito de Career of Evil. Gostei de ser contemporâneo e dos locais no livro, conheço todos eles,’ – amo que é perto de onde a gente está fazendo essa entrevista – ‘…as coisas horríveis não são nem um pouco diferentes do que a gente ouve nas notícias diariamente. As diferentes narrativas e suspeitos me fizeram tentar descobrir, mas eu não consegui, o que demonstra a excelência na escrita.’ [Outro comentário…] Steve disse: ‘Eu e meus filhos somos grandes leitores de Harry Potter, então venho lendo o trabalho de Jo há muitos anos. Eu também li os primeiros livros de Robert Galbraith, então essa foi uma ótima surpresa. Como os outros dois livros esse foi mais um livro que eu não consegui parar de ler. Amei como a relação de Strike e Robin se desenvolveu nesse livro, e como eu não consegui saber como o final do livro seria. Galbraith desenha uma Londres severa, com alguns personagens extremamente assustadores, que serão a inveja de muitos autores criminais. Eu li esse livro muito rápido e provavelmente lerei novamente. [Jo: Uau!] Eu recomendaria esse livro pra qualquer amante dos romances criminais, mesmo que não tenha lido outro livro da série. É mesmo um desenho severo de Londres?

J.K.: Eu amo Londres, e uma das coisas mais atrativas dessa série foi que eu faria muita pesquisa sobre Londres. Eu amo mesmo. E eu devo a meu marido algumas coisas, por que há lugares que eu não posso ir, então ele dá uma checada nas descrições. [Risos]

S.M.: Dennis, de Winchester disse: ‘Esse foi o primeiro livro de Robert Galbraith que li e também o primeiro de J.K. Rowling, mas eu fiquei colado no livro e o li em dois dias. Esse livro está no auge dos livros de crime sendo o ritmo muito bom, personagens muito fortes – Strike e Robin, em particular – e uma ótima narrativa que me faziam tentar adivinhar e chegar ao fim. Eu trabalhei na polícia por trinta anos, e a parte em que Strike domina o investigador através de sua relação anterior com ele me parece meio irreal.

J.K.: Eu concordo, e acho que você precisa suspender a realidade por um momento, por que é meio convencional nesse gênero que o detetive tenha contato na polícia. Mas eu concordo, e acho que isso não acontece na realidade…

S.M.: Susan disse: ‘Nunca tinha lido um livro do autor e foi muito interessante, não pude parar de ler. Eu particularmente gosto da relação de Strike e Robin, e o jeito no qual eles trabalham.’ Então eu quero te perguntar sobre a Robin… Você quer muito que as pessoas gostem dela, não é? Você já pensou em faze-la o personagem principal ou a ideia foi sempre essa?

J.K.: Bem, na verdade eu acho que os dois são coadjuvantes. Eu tive a ideia pra essa série antes de terminar Potter, e a maneira na qual eu vi esses dois personagens se conhecendo… Você vê Robin antes de ver Strike. Ela está indo pro escritório dele tentando imaginar qual o trabalho que a agencia temporária tinha arranjado pra ela. Strike quase derruba ela da escada, e por que ele se sente culpado ele aceita os serviços dela, apesar de ela ter sido enviada lá por engano. Cada um dos dois tem sua história e têm seus problemas pessoais que precisam ser resolvidos, mas acabam tendo personalidades complementares.

S.M.: Continua sendo libertador escrever como Robert Galbraith?

J.K.: Ainda é muito libertador. Eu escrevi O Chamado do Cuco ao mesmo tempo que Morte Súbita. Meu editor aceitou Morte Súbita por que ele gostava muito do Cormoran Strike. O combinado era que, mesmo que eu fosse desmascarada, Robert não faria promoções, a carreira literária dele seria menos atormentada que a de Rowling. Eu fico muito feliz pelo que aconteceu com a série de Potter, mas a realidade é que eu sou o tipo de autor que realmente gosta de ficar sozinho num quarto escrevendo, então Robert acaba tendo uma existência mais calma, o que faz com que ele seja mais sobre a escrita, apesar de saberem que sou eu.

S.M.: Mas isso tudo está acontecendo de novo agora, com a venda dos ingressos pra peça Harry Potter and the Cursed Child, a oitava história, dezenove anos depois…

J.K.: É muito legal! Eu sempre disse que nunca diria nunca por que eu tinha algumas ideias do que acontecia dezenove anos depois, mas eu não tinha muita vontade de escrever essa história como um livro, por razões que as pessoas vão entender quando virem a peça. Eu vou só dizer que essa peça nunca teria acontecido se essa equipe em particular não tivesse vindo até mim, por que acho que nós juntos faremos uma experiência fantástica para as pessoas. Mas eu não procurei o projeto, foram eles que me encontraram.

S.M.: Você vai voltar a escrever como J.K. Rowling?

J.K.: Com certeza! Tenho planos para voltar a escrever como J.K. Rowling, mas não vou dizer uma data nem nada, por que eu estou muito ocupada escrevendo o roteiro da série “Animais Fantásticos”, que está sendo muito divertido. Mas com certeza escreverei mais livros como eu mesma. Mais livros, no plural! Eu escrevi parte de um livro infantil que eu amei muito, então vou definitivamente termina-lo, então vai ter mais um livro infantil, e eu também tenho ideias para livros adultos…

S.M.: Quantas histórias você tem na sua cabeça no momento?

J.K.: São tantas que as vezes eu fico com medo que eu vá morrer antes de escrever tudo. É uma crise de meia idade, pra falar a verdade. [Risos]

S.M.: Existe algum outro nome que você usa como pseudônimo?

J.K.: Não. Eu não tenho a energia suficiente pra escrever como mais de um pseudônimo. Eu queria que Robert tivesse durado mais, por que foi muito legal, mas…

S.M.: E uma pergunta sobre sua casa, por que você agradece seus filhos pelas horas em que o trabalho atrapalhou… Como é isso?

J.K.: Eles são ótimos. Eu sou muito boa em pegar meu laptop, colocá-lo no meu colo enquanto está passando desenho na TV e as crianças estão falando comigo, pedir dois minutos, escrever dois parágrafos que eu acabei de pensar, colocar o laptop de lado e voltar à conversa. Eles são muito tolerantes quanto a isso. Eu tenho só um probleminha que eu preciso resolver rapidinho, mas logo estou de volta à sala como ‘mãe’.

S.M.: O novo livro de Robert Galbraith é Career of Evil, o terceiro na série de Cormoran Strike. Jo, obrigado por ter vindo…

J.K.: Foi um prazer voltar aqui, obrigado!

S.M.: Não espere quinze anos pra próxima vez… [Risos] J.K. Rowling, muito obrigado!

J.K.: Obrigado!

Sobre o autor

Igor Moretto

Igor já trabalhou como tradutor de conteúdo em diversos sites. Hoje, formado em Produção Audiovisual, procura alimentar o Animagos com novidades e é responsável pelo podcast mensal.