Animais Fantásticos

O Correspondente do Pottermore: Maquiagem e cabelo no set de Animais Fantásticos

Escrito por Igor Moretto

O Correspondente do Pottermore continua sua coleção de relatos sobre a direção de arte de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Dessa vez, ele comenta sobre a maquiagem e o cabelo presentes no filme, que são, como todo o departamento de arte, baseados nos estilos dos anos vinte.

No texto, o jornalista entrevista a cabeleireira e maquiadora Fae Hammond, que trabalhou em filmes como As Aventuras de Pi, Kick-Ass – Quebrando Tudo e A Menina que Roubava Livros. Veja abaixo a tradução do artigo completo.
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Maquiagem e cabelo no set de Animais Fantásticos

O Correspondente do Pottermore
Traduzido por Renato Delgado
Revisão por Igor Moretto

“Existe uma terrível e antiquada ideia de que maquiadores ficam só seguindo incessantemente os atores e dando batidinhas de pó em seus narizes,” diz a maquiadora e cabeleireira Fae Hammond. “Mas é muito mais do que isso.”

Fae se senta na minha frente numa cadeira dobrável na tenda de maquiagem de Animais Fantásticos. Ela segura uma xícara de chá Earl Grey nas duas mãos, sorrindo radiantemente com uma espécie de orgulho maternal para com seus artistas, que vão de um canto para o outro. Seus cabelos grisalhos mudaram para um corte chanel desde que a vi pela última vez, o que deve ter alguma coisa a ver com a criação de infinitos quadros de atmosfera inspirados nos anos vinte como este.

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“Maquiar é um trabalho muito delicado e sensível. Minha equipe é escolhida a dedo por mim pela sensibilidade e habilidade de saber como fazer um ator se sentir seguro. Alguns dias um ator vai querer conversar e brincar, outros dias eles não vão querer dizer nada.

“Preciso que minha equipe perceba isso para lidar com qualquer temperamento e saber quando ficar quieto,” ela diz. “Somos as últimas pessoas que eles veem antes de virarem os rostos e ir filmar. Às vezes eles precisam te ver por perto pela sua visão periférica antes de poderem continuar.”

Mais tarde, num set interno enorme e extravagante, vejo que ela tem razão mesmo. A última pessoa que a atriz Alison Sudol (que interpreta Queenie) vê antes de correr em um chão escorregadio de mármore, já em seu personagem, é sua maquiadora, Rachel.

Deve haver mais do que 100 pessoas naquele set, correndo e sussurrando e fazendo seus trabalhos, mas naqueles últimos momentos antes de a câmera começar a filmar, ela respira fundo e olha para o rosto de Rachel enquanto sua maquiagem é retocada. O nível de confiança ali é extraordinário.

“Rachel está acostumada a trabalhar com protagonistas femininas; ela é muito divertida e é leal,” diz Fae, que a escolheu especificamente para cuidar de Alison. “Elas se deram fantasticamente bem logo de cara, são mais ou menos da mesma idade, gostam do mesmo estilo de música, se dão bem. Elas têm a energia certa juntas. Posso garantir como isso é importante.

“Quando conheço um ator, sei logo de cara como ele será, como o temperamento dele será, do que ele vai precisar. Tenho feito isso há muito tempo, então confio no meu instinto de colocar o artista certo com o ator certo.”

Fae começou na profissão aos 21 anos, e hoje tem quase 60. Dá para dizer na hora o que faz dela uma lenda: a gentileza. Fae não tem pintado muitos rostos ou colocado tantas perucas ultimamente – seu trabalho é mais sobre a visão geral do processo. Ela cuidadosamente demanda que cada membro de sua equipe de maquiadores pesquise, aprenda e seja criativo com seu trabalho, o que explica o porquê de parecerem tão emocionados por estarem ali.

Esses maquiadores, a maioria com menos de 30 anos, passam mais de 12 horas por dia no trabalho. Se estiverem trabalhando com atores principais, devem chegar às 6 da manhã, se certificar de que está tudo confortável e limpo dentro de seus trailers, colocar a música certa e trabalhar por talvez 40 minutos no rosto de um ator. Se estiverem fazendo a maquiagem de figurantes, precisam trabalhar na maior quantidade de rostos que puderem no caso de cenas cheias de gente. É um trabalho enorme e de alta pressão. Mas eles adoram, eles vivem isso, eles respiram isso e são uma família.

“Muita gente na indústria tem medo de pessoas mais novas,” Fae diz. “Eu não. Adoro pessoas mais novas, amo a alegria e a energia deles. Não há nada mais maravilhoso do que a juventude – eles têm tanto a dar.”

É provavelmente por isso que assim que eu e Fae pegamos um carrinho para passear pelo cenário um de seus trainees mais novos me cutuca no ombro e diz, “Amo Fae como se fosse minha própria mãe. Ela é a melhor chefe que eu poderia desejar e me sinto muito sortudo.”

Trabalhar com maquiagem e cabelo é muito mais do que batom e conceito. É mais do que manter os cachos numa peruca ou esconder uma cicatriz numa bochecha com maquiagem vermelha grossa. Tem a ver com humildade, tato e instinto. E quadros de atmosfera. Muitos quadros de atmosfera.

Sobre o autor

Igor Moretto

Igor já trabalhou como tradutor de conteúdo em diversos sites. Hoje, formado em Produção Audiovisual, procura alimentar o Animagos com novidades e é responsável pelo podcast mensal.