Criança Amaldiçoada

CRÍTICAS a Harry Potter and the Cursed Child – Parte 1

Escrito por Renato Delgado

Nesta notícia vamos publicar a tradução de algumas das críticas mais interessantes à primeira parte de Harry Potter and the Cursed Child. Algumas delas podem conter spoilers leves, então fiquem avisados! Se por acaso houver críticas com spoilers graves, vamos deixar marcado.

A primeira apresentação das prévias de Harry Potter and the Cursed Child foi apresentada hoje no Palace Theatre em Londres. Se por acaso você quer ler os spoilers que já sabemos sobre a peça, clique neste link e se esbalde! 😀 Contudo, nos comentários desta notícia, por favor não revele nada da trama!

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A primeira resenha é de autoria do Daily Mirror. De modo geral, é uma crítica positiva e não levanta nenhum aspecto negativo da produção. Leia abaixo:

Crítica a Harry Potter and the Cursed Child: uma noite mágica em que as crianças roubam a cena

Escrito por Clare Fitz-Simmons para o Daily Mirror
Traduzido por Renato Delgado

Um balançar de capa de bruxo foi o necessário para transportar um teatro cheio de trouxas ao mundo mágico de “Harry Potter”.

Feitiços e maldições, combinados a risos e drama, mostram que Harry Potter and the Cursed Child será tudo o que todos estão esperando.

Se você não sabia que essa era a apresentação mais esperada de anos, a fila contornando todo o teatro provavelmente ofereceria uma pista disto.

Pode até ser que se trate da oitava parte da história épica, mas fica claro que a plateia não está nem um pouco farta do famoso bruxo.

E a julgar pelos gritos e aplausos, ninguém ficou desapontado.

Desta vez, Harry está num palco e não numa página de livro ou numa tela de cinema, mas a peça continua onde os livros e os filmes pararam, 19 anos depois dos confrontos do trio em Relíquias da Morte.

Harry é um funcionário atarefado do Ministério da Magia enquanto seu filho homem mais jovem, Alvo, está agora fazendo sua primeira incursão no mundo da magia.

A noite de abertura oficial ainda está a um mês de distância, mas centenas de fãs estão fazendo fila no no teatro londrino Palace para a primeira noite de prévias da primeira e segunda (sic) partes da produção.

J.K. Rowling implorou para que os fãs não entreguem os segredos da trama e acabem estragando a experiência para os outros, mas é suficiente dizer que o mundo extraordinário que ela trouxe à vida nos livros mais vendidos e nos filmes de sucesso é evidente em cada cena no teatro também.

Mas você não precisa ser fã de “Harry Potter” para curtir a peça.

Sim, é claro que há dezenas de piadas internas e referências para os grandes fãs.

Mas até uma pessoa completamente iniciante em “Potter”, que não conhece nada, nem os feitiços nem as casas de Hogwarts, poderá curtir cada minuto da apresentação.

Não se pode negar que é longa.

A primeira incursão do mago nos palcos atingiu uma escala tão épica que precisou ser dividida em duas partes – a primeira tem duas horas e quarenta de duração e a segunda é apenas cinco minutos mais curta.

Mas certamente não se sente que é tão grande. Os efeitos especiais produzem momentos mágicos e é fácil esquecer que você é apenas um trouxa.

É claro, depois de tantos anos vendo Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint nos papéis de Harry, Rony e Hermione, é difícil imaginar outras pessoas interpretando-os.

Mas Jamie Parker, Noma Dumezweni e Paul Thornley retratam os personagens que conhecemos e amamos com perfeição.

Contudo, são as crianças que roubam a cena, juntamente com todo o drama dos livros e dos filmes, muitos risos e efeitos especiais fantásticos.

J.K. Rowling se certificou de que a plateia voltará para a segunda parte com um final da primeira parte recheado de suspense.

E se a segunda for pelo menos igualmente boa como a primeira, não pode haver outro veredito.

A criança pode estar amaldiçoada, mas este espetáculo definitivamente não está.

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O jornal The New York Times também publicou uma crítica da peça. Confira:

Um bruxo chega ao teatro: Harry Potter and the Cursed Child dá início às prévias em Londres

Escrito por Sarah Lyall para o The New York Times
Traduzido por Renato Delgado e Vinícius Ebenau

A oitava parte da série “Harry Potter” foi apresentada na noite de terça-feira no Palace Theatre. Não era nem um livro nem um filme, era uma peça, Harry Potter and the Cursed Child. Mas independentemente do meio, a saga “Potter” continua sendo interesse incessante: fãs vestidos com uniformes de Hogwarts, a curiosidade sobre o destino de personagens tão amados e a fascinação pela magia.

Harry Potter e seus dois amigos continuam fiéis a quem eram

Na última vez que deixamos Harry Potter, nas últimas páginas de Relíquias da Morte, ele era um burocrata de meia-idade enviando seu filho do meio, Alvo Severo, para Hogwarts pela primeira vez. Após a violência e escuridão que haviam marcado seus anos de adolescência na história da Srta. Rowling, tudo estava bem.

Agora Harry está de volta — em uma peça, desta vez — e nada está bem. Harry Potter and the Cursed Child, que teve sua primeira prévia em Londres na terça, começa com a cena final de Relíquias da Morte e pula rapidamente para alguns anos mais tarde, esboçando os sentimentos de isolamento de Alvo tanto em relação a Hogwarts quanto em relação a seu famoso pai.

É chocante e empolgante ver personagens que pareciam terem sidos colocados para “descansar”, pendurados para sempre no tempo e no espaço, de repente serem reanimados. Ao mesmo tempo, os três personagens principais continuaram fiéis a suas contrapartes jovens. Rony ainda é o alívio cômico, Hermione continua a intelectual e ligeiramente mandona que era, e Harry faz tudo que pode, mas não consegue viver à altura de suas próprias expectativas.

É estranho ver tudo se desenrolar no palco quando estamos acostumados a abordar a história através dos livros da Sra. Rowling — lê-los foi um rito de passagem para muitas crianças (está bem, e adultos) — ou pelos filmes. Mas o público aqui no Palace Theater  não podia estar mais empolgado ou mais compreensivo ou mais preparado para ser pego no espirito do projeto.

Para aqueles que ficaram do lado de fora do teatro e que desejam se manter livres de detalhes, spoilers estarão nesse próximo paragrafo.

[SPOILERS LEVES] 
Algumas cenas estão cheias de angústia adolescente. Em um ponto, o que parece ser uma coruja de verdade atravessa o palco. Os produtores foram capazes de criar uma magia teatral literal. Uma varinha mexe papéis de um lado a outro de uma escrivaninha e livros saem de uma prateleira e falam.

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Leia agora a matéria do The Telegraph:

Harry Potter and the Cursed Child: Será que tem o toque mágico?

Escrito por Hannah Furness para o The Telegraph
Traduzido por Vinícius Ebenau

Por quase uma década, um exército de fãs aguardaram a magia retornar. Pouco surpreendente, então, o West End ter chegado quase a um impasse na noite passada enquanto eles caminhavam para o primeiro vislumbre de Harry Potter and the Cursed Child. Calçadas do Palace Theatre, o teatro onde as prévias estavam começando, foram amontoadas com bruxos e bruxas, com capas esvoaçando, varinhas sendo agitadas ao passo que a animação aumentava. Alguns haviam cruzado o globo para estarem ali.

A oitava história da série “Harry Potter” começa de onde o final do último livro acabou em 2007, quando os adultos Harry (que trocou sua batalha mortal contra Voldemort por um trabalho de manhã no Ministério da Magia), Rony e Hermione se despedem de seus próprios filhos no Expresso de Hogwarts para seus primeiros anos na escola de bruxaria. A primeira das prévias, consideradas no mundo do teatro como um período estendido de ensaios, viu o elenco calmo em seus papéis por um público que queria que eles trabalhassem bem.

Após um véu de sigilo rigoroso, no final foi a própria Rowling que deu a maior dica sobre o enredo, mandando para Anthony Boyle, que interpreta Escórpio Malfoy, filho Draco, um “quebre a perna” especial antes de sua primeira performance. Basta dizer que ela não estava levando o público a um jardim de rosas, enquanto Boyle se junta ao filho mais novo de Harry e Gina Potter, Alvo (Sam Clemmett), que pode se parecer com seu pai quando ele era mais jovem, mas está lidando com problemas parentais completamente diferentes. Os heróis de Rowling retornam quarentões com Noma Dumezweni como Hermione, Jamie Parker como Harry, Paul Thornley como Rony e Poppy Miller como Gina pisando forte em 2016 com gracejos sobre pais que trabalham e uma dieta sem açúcar.

Os que elogiaram o elenco diverso foram ricamente recompensados, com um quarto do elenco e diversos personagens-chave pertencentes a minorías étnicas. Conforme as luzes diminuiram, o público explodiu em uma salva de palmas, gritando com entusiasmo. Uma ovação de pé ao fim foi uma conclusão precipitada.

A história, que mistura amizade e adolescentes desajustados, contém reviravoltas suficientes para agradar o mais conhecedor dos fãs, que permaneceram resolutamente em silêncio sobre o enredo quando eles saíram para a calçada em êxtase depois. Quaisquer temores de que o mundo de Hogwarts no teatro teria dificuldade em competir com os efeitos especiais multimilionários dos filmes foram rapidamente esquecidos.

O palco montado por Christine Jones é um grande salão em arco gótico imutável, que, com os efeitos de iluminação atmosféricos de Neil Austin, serve como as plataformas da estação Kings Cross, o grande salão de Hogwarts, os corredores que ecoam do Ministério da Magia e vários outros locais da peça. O diretor John Tiffany usa os atores para criar simples configurações imaginativas com antigas malas de viagem espalhadas pelo palco. Misturada a esta simplicidade, porém, está uma malandragem da mais alta sofisticação.

Objetos parecem desaparecer diante de seus olhos e personagens aparecem como que do nada. Os dramaturgos foram generosos com suas piadas internas de “Potter”, com o retorno de alguns personagens antigos favoritos e reviravoltas chocantes o suficiente para causar suspiros exagerados do público. O público veio querendo magia e eles receberam de sobra. O roteiro, escrito por Jack Thorne e John Tiffany a partir de uma história original de J.K. Rowing, é ágil e, mais importante do que isso, divertido. Contudo, apesar das risadas e dos truques, a história também promete ser um suspense. Rowling conseguiu novamente? O público não teve dúvida.

Sobre o autor

Renato Delgado

Corvinal de coração, Renato se envolve com sites de "Harry Potter" há mais de dez anos e ainda não se cansou deles! Formado em Letras e quase mestre em Linguística, trabalha com revisão de textos e tradução de filmes e séries de TV.