Lembrol

Lembrol – O diário de J.K. Rowling: Parte 2

Escrito por Igor Moretto

Durante o processo de escrita do último livro da série “Harry Potter”, Harry Potter e as Relíquias da Morte, J.K. Rowling atualizou quase mensalmente a sessão “diário” do seu site oficial. Nas entradas, a autora fala sobre centenas de correspondências que recebeu depois de reclamar da falta de papel e sobre assistir parte do filme Ordem da Fênix.

10 de maio de 2006

Tenha cuidado com o que você deseja, pois pode se tornar realidade. Desde que reclamei que estava com dificuldade em encontrar algo onde escrever depois de acabar o papel enquanto trabalhava na cidade, fui bombardeada de papel. Alguns de vocês me enviaram uma folha, outros enviaram blocos inteiros e um comerciante me enviou uma grande pilha de cadernos com uma inscrição enorme em alto-relevo enorme de J.K. ROWLING, a qual não devo usar em público, mas mesmo assim achei adorável. Outros usaram uma abordagem diferente, me dizendo exatamente onde posso comprar papel pautado em Edimburgo; alguns até anexaram mapas. De qualquer forma, agora tenho papel suficiente para escrever vários livros sete, então isso não posso usar como desculpa.

Nesta semana, tive problemas com elfos domésticos, embora acredite que, agora, já os resolvi. Sou a favor dos direitos dos elfos, mas o autor é o ditador e, assim que eles aceitarem isso, melhor.

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29 de setembro de 2006

Quando estava sentada em minha escrivaninha ontem, tentando criar uma palavra, me lembrei da última vez que havia feito isso. Eu havia tentado por vários dias escolher o nome certo para o “receptáculo” no qual um bruxo das trevas escondeu um fragmento de sua alma com o propósito de alcançar a imortalidade. Finalmente, após muita transposição de sílabas, rabisquei a palavra “Horcrux” numa folha de papel e soube que era aquela. Mas e se alguém já tivesse usado ela? Com certo receio, digitei “Horcrux” no Google e, para minha felicidade, vi o que estava procurando: “Sua pesquisa – Horcrux – não encontrou nenhum documento correspondente”.

Enfim, ontem pesquisei “Horcrux” novamente. 401.000 resultados. Como você pode imaginar, isto me deu um impulso e voltei a rabiscar palavras bobas no verso de um panfleto de restaurante.

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31 de outubro de 2006

Tenho um terceiro título. Estive recordando e sei que tive mais títulos do que este para uns livros anteriores, então não estou tão preocupada com isto. O terceiro título está à frente por um fio de cabelo, ou talvez, deveria dizer por uma vogal e duas consoantes.

Tive uma semana produtiva de escrita. Há poucas sensações mais prazerosas do que ler o que você escreveu ao longo da semana e pensar “não está nada mau”, que se opõe ao mais frequente “horrível, perdi uma semana e vou ter de reescrever tudo”. E se você pensar que isso é exagero ou falsa modéstia, você está muito, muito enganado. É perfeitamente possível passar oito horas num dia e não ter nada para mostrar a eles, apenas uma ideia que, se retrabalhada completamente, pode ser aceitável.

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19 de dezembro de 2006

A longa falta de atualizações foi devida a muito trabalho árduo. Agora estou escrevendo cenas que foram planejadas, em alguns casos, há doze anos ou mais. Não acho que ninguém que nunca tenha passado por uma situação parecida consiga entender este sentimento: estou alternadamente exultante e nervosa. Ao mesmo tempo, quero e não quero terminar este livro (não se preocupem, vou terminá-lo).

Há anos me perguntam se eu já tinha sonhado que estava no mundo de Harry. A resposta sempre era “não” até algumas noites atrás, quando tive um sonho épico em que eu era, simultaneamente, Harry e o narrador. Eu estava procurando uma Horcrux num salão gigantesco e lotado, que não parecia em nada com o Grande Salão que imaginei. Como o narrador, eu sabia perfeitamente bem que a Horcrux estava espremida num cantinho escondido da lareira, enquanto, como Harry, eu estava procurando por ela em todos os outros lugares, enquanto tentava fazer as pessoas ao meu redor me dizerem falas que eu havia providenciado previamente para elas. Enquanto isso, garçons e garçonetes que trabalham no café de verdade em que escrevi grandes partes do sétimo livro vagavam ao meu redor como se usassem pernas-de-pau, todos eles tinham pelo menos quatro metros e meio de altura. Talvez eu devesse cortar a cafeína?

Fiz outra viagem para Leavesden há algumas semanas, onde assisti a vinte minutos de Ordem da Fênix, que parece estar fantástico. Também tive a chance, antes de cada um partir para um canto diferente (era a última semana de filmagem com os atores) de conversar com Dan, Rupert, Emma e Evanna, que é sempre maravilhoso. Dan mudou sua teoria sobre Snape; ele diz que ele não quer ser o tipo de pessoa que é fotografado, radiante, próximo a ditadores aborrecidos.

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Na semana que vem, volte ao Animagos para conferir a continuação do diário de J.K. Rowling! O Lembrol traz toda semana uma nova coleção de textos da autora que se juntam aos já traduzidos no ano passado para formar uma coletânea completa de impressões pessoais e artísticas de uma das escritoras mais bem sucedidas e aclamadas criticamente do século. Veja os textos já traduzidos na nossa página especial do Lembrol!

O que você achou desse novo insight nos bastidores de Relíquias da Morte? Deixe seu comentário!

Sobre o autor

Igor Moretto

Igor já trabalhou como tradutor de conteúdo em diversos sites. Hoje, formado em Produção Audiovisual, procura alimentar o Animagos com novidades e é responsável pelo podcast mensal.