Criança Amaldiçoada Harry Potter

[Coluna] Os acertos de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Escrito por Bruno Alves

2016 foi um ano excelente para os fãs de “Harry Potter”: uma peça teatral; o primeiro filme derivado da série, e seu roteiro lançado; e muitas novidades. Ele aumentou a conta bancária da Rowling e a quantidade de presentes para os fãs.

Sendo vendida como a oitava história da série, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada foi o livro mais vendido do ano e o livro-roteiro mais vendido da história, além de a peça teatral ser um fenômeno de audiência, com ingressos esgotados até 2017 e indo para os palcos americanos em 2018.

Não negando que a peça seja cheia de furos ou caricata demais, ela divide opiniões e vem causando muito furor no fandom da série, mas deixando de lado seus pontos negativos, o que a peça tem de positivo? Quais os principais destaques da história? Devemos considerar como canon?

Lembrando que essa é apenas minha opinião (Bruno) do que a peça trouxe de bom para mim. E sim, vai conter spoilers!

Harry Potter

Eu precisava começar falando de Harry Tiago Potter. Muitos não gostaram do que o herói se tornou aos seus 30 e poucos anos. Mas eu adorei. O Harry que vimos crescer, que vimos enfrentar diversos conflitos internos, cresceu e se tornou pai. Aqui temos um personagem mais maduro, mais humano, e ainda tem medo, ele ainda é um herói. O personagem tem alguns excelentes momentos durante o roteiro: quando conversa com Hermione em seu escritório, ou com Alvo Severo na cena final, ou com o quadro de Dumbledore na ala hospitalar, vemos como o personagem é bem complexo.

Agora, deixa eu explicar um certo momento do personagem, no escritório da diretora McGonagall, onde Harry tem uma crise de surto e ameaça a professora. Muitos falaram que aquilo não seria do feitio de Harry ou algo assim. Primeiro de tudo, aquilo já é uma linha alternativa do tempo, de quando Alvo e Escórpio mexem pela primeira vez com o vira-tempo. Naquela versão, Alvo está na Grifinória e Rony e Hermione não estão juntos. Ele está com tanta revolta e medo quanto esteve em Ordem da Fênix, ou não se lembram da cena em que ele destrói o escritório de Dumbledore? É interessante ver que naquela realidade Harry está mais inclinado ao mal (por falta de palavra melhor), e que fará qualquer coisa para ter Alvo e Escórpio separados.

No geral, Harry Potter é um personagem frágil e humano, que em Criança Amaldiçoada passa a maior parte do tempo com medo das suas escolhas e do futuro. Foi escrito muito bem por Jack Thorne.

Hermione Granger

Ela não é destaque da história e nem suas ações fazem dela a Hermione que conhecemos, mas não podemos negar que a personagem continua com seu girl power ativo durante toda a leitura. Hermione possui três momentos durante a peça e vou falar sobre dois (prefiro esquecer a Hermione dark que conhecemos).

A Hermione “original” se tornou Ministra da Magia, e isso foi um dos pontos mais incríveis de todo o roteiro. Por que absurdo? A personagem tem capacidade e inteligência suficiente pra governar os bruxos do Reino Unido. Em um determinado momento, alega que não seguirá os passos de Cornélio Fudge. Além disso todas as sua características estão presentes, seu jeito pomposo e de liderança estão lá em diversos momentos.

Um dos meus momentos preferidos foi no escritório de Harry, os dois conversando sobre família, emprego e ameaças. Diálogos tão simples mas que mostram a amizade dos dois, e principalmente quem é Hermione Granger.

A Hermione rebelde que vimos em uma das linhas alternativas não é muito explorada, mas vemos um dos momentos mais lindos do roteiro, um momento de sacrifício que arrancam lágrimas de quem está na plateia.

Viagem no tempo

Quando soube mais ou menos da trama e vi que o vira-tempo estava presente, adorei de imediato, mesmo sabendo dos problemas que isso poderia causar (e causou). Várias linhas alternativas, personagens sendo desconstruídos, momentos nostálgicos, personagens voltando e mostrando o quão incríveis são. Isso, de certa forma, é maravilhoso, uma forma de explorar o universo de “Harry Potter” de um jeito diferente e ousado. Não sei porque se preocuparam tanto com isso. No final, tudo voltou ao normal.

Acho que tais momentos poderiam ter sido melhor explorados, porém, como estamos falando de uma peça teatral, que tem limite de tempo e espaço em cena, seria difícil. Mais uma vez preciso ressaltar o quão incrível deve ser ver essas linhas ganhando vida, e o tal Voldemort Day, nos palcos.

Velha dos Doces

Essa personagem ganhou o coração de muitos fãs. Quem diria que uma simples figurante de toda a franquia iria protagonizar uma das cenas mais empolgantes do roteiro?

A velha do carrinho de doces é nada mais que uma guardiã do Expresso de Hogwarts, e não permite que nenhum aluno saia do trem enquanto o mesmo não chegar na escola com todos os estudantes. Não sabemos muito sobre ela, apenas que foi contratada pela Ministra Ottaline Gambo para cuidar e vender doces no Expresso. A velha dos doces não se lembra do seu nome e nem da última vez que o perguntaram. Além disso, descobrimos que Fred, Jorge e Sirius já tentaram escapar do Expresso, mas foram interceptados por ela. Para tentar capturar Alvo e Escórpio, ela cria garras enormes. Genial!

Uma personagem com esse currículo já merece uma biografia no Pottermore. Espero que J.K. Rowling nunca se esqueça dela.

Draco Malfoy

O personagem mais rancoroso e invejoso da série se tornou pai e provou que pode ser uma pessoa melhor, mesmo continuando sendo sempre quem foi. Ouvi muitos comentários de fãs falando que Draco foi um personagem totalmente desconstruído. Discordo, ele continua sendo invejoso, chato e mesquinho, mas suas atitudes com seu filho Escórpio mostram que ele possui muito amor dentro de si. Ver Draco falando com todas as letras que tinha inveja do trio também confirma o que já sabíamos.

Nunca vi os Malfoy como vilões. Eles sempre foram muito desagradáveis durante toda jornada da história original e ver Draco no clímax foi interessante e mostrou um dos personagens que mais foi desenvolvido durante a história.

Escórpio e Alvo

A dupla dinâmica dessa história. Os dois juntos têm uma relação quase que perfeita durante toda a trama. Ambos de certa forma passaram e continuam passando por grandes problemas familiares e na escola. São conhecidos por serem de famílias famosas e sofrem bullying por carregarem esses legados. É uma amizade perfeita, pode ser exagerado, mas a amizade deles representa de maneira fiel o que foi a amizade de Harry, Rony e Hermione em Pedra Filosofal.

É inegável que eles são a representação LGBT da história. Fica muito clara a relação que eles têm juntos pelos diálogos, a forma na qual se aproximam, algo que vai um pouco além de amizade. Fica difícil julgar algo mais aprofundado, já que a história tem vários saltos. Entretanto, do pouco que vimos, sabemos que pode existir sim uma relação futura entre os dois.

Há outros detalhes que acho importante ressaltar e que gostei, como a participação de Alvo Dumbledore, o famoso Flipendo e as citações a duas criaturas que apareceram em Animais Fantásticos e Onde Habitam, o arpéu e o seminviso.

Não acho Harry Potter e a Criança Amaldiçoada terrível. É uma história nostálgica e empolgante contada em uma mídia difícil como o teatro. Entre altos e baixos, a trama conseguiu se sustentar e provar o valor do legado que “Harry Potter” está deixando no mundo.

Essa oitava história já é um assunto batido, mas quero saber o que você tirou de positivo dela! Não vale dizer que achou tudo muito ruim. O roteiro de ensaio traduzido já está sendo vendido e se não garantiu sua cópia, clique aqui. 2017 será outro ano empolgante, já que a versão final do roteiro será lançado em breve. Fiquem ligados no Animagos para mais novidades!

Sobre o autor

Bruno Alves

Apaixonado por "Harry Potter" e cultura pop em geral, Bruno é estudante de Publicidade e Propaganda. Tentando se encontrar no meio da comunicação social, ele usa seu tempo escrevendo histórias, assistindo filmes, tomando café e falando do Mundo Bruxo.

  • Gustavo Borella

    Confesso que ainda não criei uma opinião formada sobre o roteiro, pois há momentos que gosto e outros que desgosto.