Cormoran Strike J. K. Rowling

Potterish entrevista Ryta Vinagre, tradutora da série de Cormoran Strike no Brasil

Escrito por Igor Moretto

Em maio desse ano o fansite Potterish entrevistou a tradutora comissionada pela editora Rocco da série de livros de Cormoran Strike, escrita por J.K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith. Ryta Vinagre comenta assuntos como a crítica, o processo de tradução e as deadlines que teve que cumprir.

Como o terceiro e mais esperado livro da série, Career of Evil (sem tradução ainda), será lançado no ano que vem no Brasil – já com ótimas críticas pelo mundo – é interessante revisitar a entrevista e ter ciência das opiniões da tradutora. Veja um trecho:

Potterish: Na internet há algumas críticas a sua tradução desses livros, alguns apontamentos de “erros”, inclusive. Você já chegou a ler isso? Como lida com críticas?

Não li, mas agora que você falou nisso, talvez eu procure (o “talvez” se explica mais adiante). Se a crítica é fundamentada, é muito bem-vinda. Não tenho como saber onde estou errando se ninguém me apontar o erro. E se ninguém me apontar o erro, corro o risco de, por ignorância, continuar a cometê-lo. O que me desagrada é que muitos leitores bastante desinibidos nas críticas são justo aqueles que praticamente exigiram o livro para ontem e não consideram, em suas críticas, que toda a pressa só pode produzir um texto com problemas.

Não quero, com nada disso, afirmar que a “culpa” ou responsabilidade pelos problemas localizados nos livros seja do leitor; longe de mim fazer afirmação tão estapafúrdia. A realidade é que nos “livros-coqueluche” todo o processo de produção parece começar pela demanda e vive em função dela. Se a demanda é ansiosa, toda a cadeia é contaminada.

Tradução, copidesque, revisão são trabalhos que exigem raciocínio, pesquisa e reflexão. Requerem calma. É impossível refletir, pesquisar e raciocinar a jato, e ainda por cima o tempo todo.

Também me desagrada muito ler “críticas” do tipo “Eu odeio Ryta Vinagre” de pessoas que não me conhecem nem dizem por que me odeiam. Certa vez, procurando não me lembro o que no Google, dei com um “A editora entregou a tradução praquela vaca da Ryta Vinagre”, o que me fez rir muito, em especial pela construção da frase, mas foi um riso amargo – “vaca” por quê? Um nome que aparece no crédito de um livro não é só um nome, ele pertence a alguém. Também não entendo um “Eu amo Ryta Vinagre” com a mesma ausência de motivos, mas pelo menos este não fere. Atualmente, não procuro mais as críticas dos leitores. Ninguém precisa aturar trollagem! E, entremeando a crítica fundamentada, aparecem uns “trocentos trolls”; na Internet, é praticamente impossível ler um sem ter conhecimento do outro.

A entrevista completa pode ser lida neste link. Obrigado, @ImPedroMartins!

 

Sobre o autor

Igor Moretto

Igor já trabalhou como tradutor de conteúdo em diversos sites. Hoje, formado em Produção Audiovisual, procura alimentar o Animagos com novidades e é responsável pelo podcast mensal e o Muffliato.