Cormoran Strike J.K. Rowling

J.K. Rowling promete mais dez livros de Cormoran Strike em entrevista

Escrito por Vinicius Ebenau

Após as conversas de ontem, foram publicadas pelos jornais Daily Mail e The Guardian entrevistas com a autora J.K. Rowling, os roteiristas Ben Richards e Tom Edge, os atores Tom Burke e Holliday Grainger e a produtora executiva Ruth Kenley-Letts para discutir sobre Strike, adaptação televisiva dos livros sobre o detetive particular Cormoran Strike.

Apesar das matérias serem bastante longas, além de termos novas fotos da série, as informações de bastidores com certeza deixarão contentes aqueles que gostam desse tipo de conteúdo. Confira as traduções, na íntegra, logo abaixo!

J.K. Rowling revela como ela quebrou o
feitiço de Harry Potter conjurando Cormoran Strike,
detetive particular, agora a estrela de uma empolgante série de TV
Escrito por Benji Wilson para o Daily Mail
Traduzido por Vinicius Ebenau

Quando ela desapareceu silenciosamente de seu mundo de varinhas e bruxos, J.K. Rowling estava determinada que seu próximo projeto se passaria o mais longe de Hogwarts quanto possível.

Era 2013 e a famosa autora dos livros de “Harry Potter” fantasiava que ela poderia manter sua nova criação – um livro policial sobre um detetive particular – firmemente em segredo.

E por um tempo, ela manteve. Publicado em 2013 sob o pseudônimo de Robert Galbraith, se passaram três meses até ela ser revelada como a criadora de um detetive particular problemático em um mundo sombrio e altamente tóxico.

Cormoran Strike é interpretado por Tom Burke, de 36 anos, que estrelou Guerra e Paz da BBC One. Ele é retratado com Holliday Grainger, que interpreta sua futura parceira comercial Robin Ellacott.

“Eu realmente queria voltar para o início”, diz Rowling. “Eu queria que fosse apenas sobre a escrita. Eu tinha esse sonho que eu poderia conseguir lançar talvez três livros sob o pseudônimo antes que alguém percebesse que era eu.”

“Eu era realista”, continua ela. “Eu pensei, se eles [os livros] tiverem algum sucesso, então provavelmente vou ser desmascarada, porque eu acho que perguntas seriam feitas sobre este ‘cara’ que nunca quer dar uma entrevista e nunca quer encontrar um produtor de televisão e nunca quer falar com ninguém.”

“Na verdade, as coisas ficaram bastante difíceis rapidamente, porque tive muita sorte e o livro foi apanhado. Então, recebemos uma ligação da BBC e eles queriam adaptá-lo antes de saberem que era eu. Isso apresentou ‘Robert’ com seu maior problema! Que é um problema muito bom para ter, mas as coisas se tornaram difíceis de sustentar com bastante rapidez.”

O primeiro livro recebeu várias rejeições antes de eventualmente ser adquirido pela Little, Brown. E depois que Rowling foi revelada como a autora, em 14 de julho de 2013, as vendas dispararam, com O Chamado do Cuco pulando do 4.709º lugar para se tornar o romance mais vendido da Amazon.

Os três livros da série venderam mais de quatro milhões de cópias no total, e Rowling doou os ganhos à instituição de caridade The Soldiers’ Charity da Army Benevolent Fund, a ABF.

Cormoran Strike, o protagonista dos livros, é quase um anti-herói, um detetive particular e ex-soldado que perdeu uma perna abaixo do joelho enquanto servia no Afeganistão e que está sempre perto da falência. Ele come junk food, bebe demais e encontra sua futura parceira de negócios, Robin Ellacott, apenas quando ela aparece ao trabalho como uma secretária temporária que ele achava que havia cancelado. É um começo estranho, mas estranhamente convincente.

Strike encontra sua futura parceira de negócios, Robin Ellacott, apenas quando ela aparece ao trabalho como uma secretária temporária que ele achava que havia cancelado. É um começo estranho, mas estranhamente convincente.

A primeira das três adaptações de Strike está definida no mundo da moda, conforme o detetive particular investiga a morte de uma supermodelo. Acima: Tara Fitzgerald e Kevin Fuller no drama.

“É desafiador criar um herói que não esteja na força policial”, explica Rowling. “Nós nos mudamos – por excelentes razões – para heróis que estão operando dentro da força, porque então você tem acesso a todas essas evidências incríveis e é credível. Isso é como é a vida real.”

“Dito isto, detetives particulares ainda existem e muitos deles saíram das forças. É um mundo interessante. Você consegue se concentrar muito mais no indivíduo. Porque eu tinha essa ideia para um relacionamento entre esse homem e essa mulher, esse era o mundo em que deveria estar. Se eu colocasse ambos (Cormoran e Robin) na força policial, a dinâmica entre eles teria sido inteiramente diferente. Eu queria explorar uma operação muito mais pequena e humana e um relacionamento muito mais pessoal.”

O mais novo detetive da TV não se parece muito com um herói, nem mesmo com um detetive, mas com milhões de leitores, Cormoran Strike (interpretado por Tom Burke, de 36 anos, que estrelou Guerra e Paz da BBC One) será muito familiar.

Ao assistir as filmagens de O Chamado do Cuco, adaptado para TV por Ben Richards, em uma frondosa rua no oeste de Londres, a primeira coisa que você percebe é o seu jeito de andar, mancando levemente (Burke usa uma meia de pressão especial para criar a sensação de ter perdido parte da perna). Tentar escalar um portão de jardim trancado é uma luta – mesmo com a ajuda de sua assistente.

Encontrar o ator certo, diz Rowling, foi o primeiro problema, mas ela confiou no instinto de sua produtora, a Brontë Film & TV, que está fazendo a série.

Por parte de Burke, também houve uma apreensão inicial. Além de ter que ganhar peso e “ficar mais cheio”, ele estava preocupado que ele realmente deveria interpretar o personagem.

“Conseguir este trabalho realmente pareceu como um grande negócio”, diz ele. “Tinha se tornado uma impossibilidade total na minha cabeça de que isso aconteceria. Então, muito cedo, ocorreu-me que não conseguiria o emprego a menos que ela [Rowling] me desse o selo de aprovação, mas eu sabia que eles [a produtora] queriam que eu fizesse, então pensei: ‘Eu não preciso me preocupar com isso’.”

De fato, ele não precisava. Rowling tinha visto o Dolokhov de Burke em Guerra e Paz e já era uma fã. Ela se interessou particularmente nele porque Dolokhov é seu personagem favorito do romance de Tolstói – ela até nomeou um personagem em “Harry Potter” de ‘Dolohov’ em homenagem. “Ela aprovou minha interpretação de Dolokhov”, ri Burke, “e ela parecia feliz com minha contratação. Ela viu o primeiro episódio de O Chamado do Cuco agora e disse que está muito feliz.”

“Eu estava ciente do seu forte envolvimento com o roteiro. Certas coisas eram apenas: ‘Não, Strike não faria isso, Robin não faria isso’. Então eu senti como se ela estivesse em todas as páginas do roteiro do mesmo modo que ela estava em todas as páginas do livro.”

A própria Rowling sugeriu certas ideias em momentos-chave das filmagens – e em uma ocasião revelou o que acontecerá no quarto livro. “Isso”, disse Burke, “foi muito útil.”

A primeira das três adaptações de Strike está definida no mundo da moda, conforme o detetive particular investiga a morte de uma supermodelo que cai de uma varanda – supostamente foi suicídio, mas Strike pensa o contrário. Durante a investigação, Strike se junta a Robin Ellacott, interpretada por Holliday Grainger.

A atriz de 29 anos, usando jaqueta parka, calça jeans e botas magras, ficou encantada em obter o papel. “Quando eu cheguei pela primeira vez neste trabalho, um dos produtores disse que eles pensavam que J.K. Rowling tinha baseado Robin levemente em alguns aspectos de si mesma. Eu li os livros pensando: ‘Deus, Robin é como eu!’ Mas então todas as mulheres com quem eu falei desde isso que amam os livros os amam porque elas acham que Robin é como elas. Ou ela é a mulher que você gostaria muito de pensar que você é. Ela é muito prática e inteligente e fundamentada. Mas também muito compassiva e apaixonada – ela usa muito seu coração.”

À medida que o enredo se desenvolve, nós aprendemos mais sobre Strike, cujo pai é um roqueiro bem famoso, embora Strike o tenha encontrado apenas duas vezes na vida dele. Sua mãe era uma super-fã e viciada em drogas, e Strike foi criado em vários locais de Londres – muitas vezes lugares miseráveis, onde sua mãe foi abusada por usuários desviantes.

“Quando nos encontrarmos com Strike, ele parece ser uma pessoa acabada”, diz Burke. “Mas ele teve uma infância bastante exótica que ficou muito sombria em um ponto. Ele não se conciliou com isso. É um mundo bastante tóxico que ela [Rowling] criou.”

Strike foi para Oxford, mas depois de um ano na faculdade, sua mãe morreu do que parecia ser uma overdose acidental de drogas. Strike, no entanto, acreditava que seu padrasto – um desonesto músico de rock de bandas de garagem chamado Whittaker – tinha dado a sua mãe a overdose, matando-a. A autópsia não foi conclusiva. Mas Strike descobriu sua paixão pela derrota da injustiça. Ele foge para se juntar ao Exército, eventualmente se juntando a Divisão de Investigação Especial, até que sua perna foi destruída por um explosivo no Afeganistão. No momento em que o conhecemos em O Chamado do Cuco, sua agência, com sede na Denmark Street no bairro do Soho, está em falência e Strike está sozinho, esperando que algum trabalho esteja a caminho. Não é, seria justo dizer, o começo padrão de uma série policial.

À medida que a série avança, a relação entre Strike e Robin cresce. “Você sabe que é algo significativo que está acontecendo entre eles e que está sendo construído de forma incremental”, diz Burke. “É algo que está definitivamente lá, desde o momento em que eles conhecem um ao outro.”

Para Grainger, o desafio é interpretar uma mulher que está aprendendo no trabalho, “mas definitivamente não é uma sidekick. É como se Robin se tornasse a pessoa que sempre quis ser. Isso vem através do trabalho e através de Strike. Ele entende quem ela está se tornando.”

Grainger confirma que J.K. Rowling foi participava com a produção. “Ela aprovou todos os roteiros, os momentos de ação e as cenas”, diz ela. “Eu tinha notas sobre como Robin reagia em determinadas situações – muitas das notas que ela dá são muito específicas. Robin nem sempre pensa em si mesma – muitas vezes ela pensa em outras pessoas.”

A produtora da série, Ruth Kenley-Letts, disse que há uma considerável pressão ao adaptar livros que são muito populares. “Ela [Rowling] nos levou a alguns mundos realmente modestos – alguns lugares humildes com tipos muito diferentes de personagens.”

Quando Rowling conheceu Burke pela primeira vez, ela deixou claro que esperava que ele gostasse de interpretar Strike – apesar, ou talvez por causa, do fato de o detetive particular ser um personagem tão complexo. Na verdade, ela lhe deu a maior indicação do futuro que ela planejou para o detetive misterioso e perturbado. E é uma boa notícia para os fãs dos livros. O Chamado do Cuco vai ser lançado como três episódios de 90 minutos no final do verão britânico (inverno, no hemisfério sul). O Bicho-da-Seda foi adaptado como dois episódios e Vocação Para o Mal irá seguir no próximo ano.

Rowling diz: “A primeira vez que conheci Tom, eu disse: ‘Bom, espero por Deus que você goste de interpretar esse personagem porque acho que tenho pelo menos mais dez livros em mim – então você pode ficar preso aqui por alguns anos’. Foi realmente importante para mim que conseguíssemos as pessoas certas na frente da câmera, e atrás dela. Porque isso pode durar por muito tempo. Espero que sim, porque eu absolutamente amo escrever os livros.”

 

Espirituoso e não corpulento: o detetive de TV gentil de
J.K. Rowling é um retorno à era de Morse
Escrito por Sarah Hughes para o The Guardian
Traduzido por Igor Moretto

A matança, a queda, a linha de dever – séries criminais obscuras e rápidas têm dominado nossas telas nos últimos anos. Mas a BBC está apostando no retorno de uma abordagem mais gentil e espirituosa para enredos criminosos com uma nova série que se parece mais com Inspector Morse, de Colin Dexter.

Strike: The Cuckoo’s Calling (Strike: O Chamado do Cuco), que vai ao ar na BBC One no fim desse mês, é a primeira de três adaptações dos livros de Cormoran Strike, de J.K. Rowling, que escreve sob o pseudônimo Robert Galbraith.

Os livros de Strike acompanham o detetive particular e ex-soldado Cormoran Strike (interpretado na adaptação por Tom Burke) e sua assistente Robin Ellacott (Holliday Grainger) enquanto lutam contra o crime e os altos e baixos de seus próprios relacionamentos. A série se passa em uma Londres que é ao mesmo tempo moderna e nostálgica, e a equipe da série espera que essa combinação seja parte do apelo.

“Soa bem diferente, tanto no tom quanto no visual, de outras séries criminais”, diz Ben Richards, que adaptou o primeiro livro, O Chamado do Cuco. “Ela tem algo meio retrô ao mesmo tempo que é contemporânea – tem um pouco das qualidades de Morse. Até o humor é parecido – estava assistindo um episódio antigo de Morse outro dia, e a melhor coisa daquela série é que era engraçada mas o humor não era malicioso ou maluco – vinha de acontecimentos cotidianos.”

Ele ainda diz: “Existe uma gentileza na série que acho que esteve em falta por um longo tempo nas séries criminais, onde estamos quase sempre obcecados por viradas malucas atrás de viradas malucas.”

Tom Edge, que adaptou os outros dois livros, O Bicho-da-Seda e Vocação para o Mal, concorda. “As pessoas usam ‘antiquado’ como uma palavra pejorativa, mas pra mim isso é parte do porquê desses livros, e, espero, a série, funcionarem. Eu sinto que a relação entre Cormoran e Robin é parecida com a de Nick e Nora Charles, de The Thin Man. Há esse mesmo tipo de sagacidade, e é uma relação com a qual você realmente se importa.”

Richards e Edge se encontraram com Rowling diversas vezes durante o processo de adaptação, e dizem que trabalhar com ela foi fácil. “Ela é uma pessoa que se importa profundamente com seus personagens, então ela jamais entregaria os livros e diria ‘vejo vocês ano que vem’”, admite Edge. “Ela foi incrivelmente solidária, muito generosa – e sempre conseguia explicar precisamente o porquê de um personagem não estar funcionando.”

Essa precisão com seus personagens é o segredo do sucesso dos livros de Robert Galbraith. Enquanto são meticulosamente escritos, do jeito que você espera, vindo da criadora do complexo e vibrante mundo de Harry Potter, o apelo real está no casal principal.

“Quando li o primeiro livro pela primeira vez, tive a clara ideia de quem Cormoran Strike e Robin eram”, diz Grainger. “Acho que as pessoas também têm. Toda mulher que conversei e que tinha lido os livros ama a Robin, e consegue se ver na personagem. Há alguma coisa que faz as pessoas gostarem dela e acharem ela verdadeira.”

Esse relacionamento se transpõe no aspecto cotidiano de sua profissão. Não existem truques quanto a como Cormoran e Robin desvendam os casos, uma coisa que os criadores esperam que vá apelar para o público que já se cansou de séries de crime com viradas intermináveis e detetives mais inteligentes que o normal.

“O que faz de Strike um ótimo investigador é que ele trabalha muito”, diz a produtora executiva da série, Ruth Kenley-Letts. “Ele não é igual o Sherlock – abençoado com a habilidade de ver tudo. Ele é um ex-soldado que perdeu sua perna no Afeganistão e que teve um crescimento conturbado.”

“Ele não é mágico. Tem algo que chama a atenção quanto a isso. É bom finalmente ter uma série onde os crimes não são solucionados de um jeito espertalhão e sim porque eles trabalham para isso.”

Robin e Cormoran, para manter a tendência de personagens complexos e problemáticos, têm segredos, mas isso não é o principal da história.

“Uma das coisas que eu gosto em Cormoran como um detetive é que ele pode até ter problemas, mas ainda assim sorri”, diz Richards. “Porque não é isso que todos faríamos?”

Para Richards, o apelo da série é essa normalidade. “As pessoas me perguntam ‘o que faz essa série ser diferente?’ e eles sempre parecem surpresos quando eu digo – bom, nada”, ele diz. “Cormoran não tem nada de especial.”

“Ele basicamente fica em um escritório que é uma merda, ele é falido, e sua perna dói muito às vezes, mas ele não reclama. Ele trabalha bastante e cumpre seus compromissos. Há algo a se admirar nisso.”

Sobre o autor

Vinicius Ebenau

Vinicius, infelizmente, não consegue se descrever bem. Tem como um de seus maiores sonhos reler Prisioneiro de Azkaban em menos de seis meses e reassistir o filme sem dormir perto do final.

  • janjaoBHz

    sinceramente nao curti essa serie de livros,eh chato enfadonho e pulei logo pro final no segundo. nem li o terceiro ainda. e olha que curto bastante o genero. sou fascinado pelos livros do Harlan Coben e norah roberts.

  • Gustavo Borella

    Fiquei feliz com essa notícia, os livros dessa série estão sendo ótimos. Esse gênero me atrai muito.